O que é Reumatologia?

Reumatologia é a área da medicina responsável pelo diagnóstico e tratamento das doenças que atingem principalmente as articulações, os ossos, os músculos e as regiões vizinhas como os tendões e os ligamentos. Essas doenças provocam inflamação ou degeneração (“desgastes”) dos tecidos.

Existem muitos tipos diferentes de reumatismos que variam em relação à idade de início, gravidade, risco de sequela, frequência maior em homens ou mulheres e até aqueles tipos que não provocam dor mas alteram a imunidade do paciente, ou o risco de apresentar uma fratura, no caso da osteoporose. Raramente as doenças reumáticas podem atingir outros órgãos como olhos, coração, pele, intestino e outros.

O que faz um Reumatologista?

Um reumatologista é um médico clínico que deve se basear em protocolos e diretrizes atualizados aliado à sua experiência prática para diagnosticar as doenças e iniciar o melhor tratamento individualizado às necessidades dos seus pacientes. No conjunto do tratamento, ele deve oferecer aos pacientes educação sobre os problemas de saúde, estimular o envolvimento no tratamento, indicar quando necessário, todas as medidas não-farmacológicas como fisioterapia, psicoterapia, uso de apoios de mobilidade além das opções medicamentosas disponíveis mais efetivas e mais seguras para combater a dor, inflamação e prevenir sequelas.

Doenças Reumatológicas mais comuns:

Artrose de Joelhos:

Osteoartrose ou osteoartrite de joelhos é a doença articular mais comum em adultos e causa dor, rigidez, fraqueza na região das coxas, redução da mobilidade e em algumas situações pode causar deformidades nos membros inferiores. Acontece quando o revestimento interno do joelho, a cartilagem articular, sofre uma degeneração e uma inflamação. Este desgaste do joelho,como é chamada a perda da lubrificação da junta em quantidade e qualidade, é acompanhado por acúmulo de substâncias inflamatórias e depósitos de pequenos fragmentos de osso e outros tecidos danificados no interior da cavidade do joelho. A cartilagem menos viscosa e menos elástica perde parte da sua lubrificação e reduz a absorção de impactos do corpo pelos joelhos durante a realização dos movimentos diários que o paciente realiza.

A probabilidade da doença aumenta com: idade, obesidade, trauma anterior no joelho, cirurgias dos meniscos, presença combinada de alguns genes (pré-disposição genética) e realização de algumas atividades profissionais ou hábitos de postura.O melhor tratamento para artrose de joelhos é a identificação dos pacientes de risco para artrose e correção dos fatores evitáveis, ou seja, a prevenção da doença ou de sua piora. Uma vez que a artrose se estabeleceu, um bom plano terapêutico deve iniciar pelo tratamento de suporte. Este suporte, que podemos chamar de base do tratamento, inclui conhecer a doença e aprender como solucionar problemas, ajustar o estilo de vida e perder peso, se necessário. Existe evidência suficiente de que realizar atividade física com reforço muscular de membros inferiores interfere positivamente na doença reduzindo a dor e ampliando o arco de movimentação da articulação.

As medicações utilizadas para tratar a artrose de joelhos são selecionadas de acordo com os sintomas do paciente e algumas podem modificar a lesão da cartilagem e reduzir a progressão da doença. A Cirurgia para corrigir desvios e lesões específicas é realizada em algumas situações. A colocação de prótese está indicada quando outros tratamentos disponíveis foram tentados, inclusive perda de peso, uso de dispositivos de apoio (joelheiras), palmilhas, infiltrações para suplementação do material viscoso e pode ser a solução adequada em alguns casos.

Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES):

O Lupus é uma doença sistêmica e inflamatória crônica que apresenta forma clínica variada com períodos de exacerbação e remissão. Frequentemente se inicia entre a segunda e quarta décadas de vida, é mais comum em mulheres (10 mulheres para cada 01 homem) e o curso da doença tem apresentado melhora na evolução nas últimas décadas. É causado principalmente por uma falha na tolerância imunológica da pessoa. O sistema de defesa se torna menos tolerante a algumas células do paciente e passa a desencadear uma série de reações entre células, ataque a partículas do próprio corpo do paciente e produção de anticorpos. Esses mecanismos contribuem para uma inflamação que acontece em alguns tecidos e órgãos do corpo do paciente.

O quadro mais comum do lúpus é o de uma mulher jovem com alterações de pele (mancha em formato de asa de borboleta e outras), dor nas juntas e alterações de células sanguíneas, percebidas no exame de sangue (hemograma). Outros sintomas como mal estar geral, fadiga, perda de peso e febre são comuns na fase ativa da doença. Existe uma grande variedade de apresentação clínica, poderíamos até mesmo falar em subtipos de lúpus.

Podem surgir alterações de pulmão, rins, sistema nervoso, olhos, coração e outras, mas os pacientes não apresentam todas as alterações em conjunto. Uma vez que não existe uma alteração ou teste laboratorial que confirme a doença com 100% de certeza, o diagnóstico da doença depende de um conjunto de alterações clínicas e de exames. É importante saber que o exame FAN (fator anti-núcleo) positivo não é igual a lúpus, o paciente deve ser avaliado cuidadosamente pelo médico.

A evolução de saúde de um paciente com lúpus depende de determinada combinação genética que oferece uma tendência para diferentes padrões de manifestações e gravidades. A evolução do paciente sofre influência de ações de cuidados gerais e específicos e de fatores ambientais psíquicos e de qualidade de vida. O objetivo principal do tratamento de um paciente com Lúpus é reduzir o número e gravidade das crises e evitar o dano grave aos órgãos-alvos acometidos. O seguimento médico com consultas regulares e uma boa aderência ao tratamento vem tornando a vida dos pacientes com lúpus cada vez mais saudável. Orientações gerais como evitar exposição solar, interromper o tabagismo, tratar a hipertensão arterial, manter hábito alimentar saudável, tratar distúrbios d do metabolismo e a prática de atividade física regular são fundamentais para a ótima resposta do tratamento..

Artrite Reumatóide:

A artrite reumatóide (AR) é uma doença autoimune, inflamatória e sistêmica que atinge em torno de 1% da população, na proporção de 5 mulheres para 1 homem e tem sua maior incidência na faixa etária entre 30-50 anos. O quadro crônico da doença pode levar a grande impacto na qualidade de vida em decorrência da dor nas articulações, da incapacidade para realizar atividades cotidianas e do surgimento de sequelas nas juntas a depender da gravidade da doença e do tratamento oferecido. No entanto, nos últimos 20 anos o tratamento da artrite evoluiu muito! Hoje temos medicamentos modernos e conhecimentos mais aprofundados sobre como a fisioterapia, a nutrição, a psicologia e outras áreas da saúde podem atuar para interferir na melhora da doença.

O que influencia o surgimento e a gravidade da doença?

Vários fatores!! A genética da pessoa, a ocorrência de certas infecções virais e bacterianas antes da doença, o vício do tabagismo, e outros fatores como a compreensão do paciente sobre sua doença, sua colaboração com o tratamento proposto e o seu estado emocional. A persistência da inflamação das juntas apesar do tratamento, a existência de alterações de outros órgãos do corpo, a presença de altos títulos do anticorpo, fator reumatóide e do anticorpo-anticitrulina (anti-CCP) são fatores que contribuem para uma evolução mais grave da doença. Por todos estes aspectos é fundamental que da parte do médico haja um controle constante da inflamação através de um tratamento efetivo com reavaliações médicas e exames laboratoriais e de imagem periodicamente, e que da parte do paciente haja um engajamento com o tratamento. Por exemplo, sabemos atualmente que os pacientes que realizam atividade física e que incorporam medidas que aumentem a qualidade de suas vidas, são os pacientes que apresentam o melhor resultado com o tratamento da artrite reumatoide.

Fibromialgia:

De todos os tipos de reumatismos, um dos mais comuns é a fibromialgia. É umas das principais causas de procura por um médico reumatologista, uma doença relativamente comum, que pode atingir qualquer idade e sexo, embora muito mais encontrada em mulheres. Nela, o paciente sente dor espalhada pelo corpo e diversos outros sintomas. Insônia, cansaço, sensação de formigamento e inchaço, dor de cabeça, dificuldade para se concentrar, podendo estar associada com depressão, ansiedade e outros sofrimentos emocionais.

Na fibromialgia, a sensação desagradável de dor que vem de uma parte do corpo e poderia ser limitada e passageira, permanece, se amplia e aumenta de intensidade. A doença passa a ser a dor. A pele, os tecidos , os músculos ficam mais sensíveis  ao toque, ao frio, ao estresse físico e comunicam essa hiper-percepção ao cérebro que sinaliza como “mais dor”.  As vias dolorosas estão excitáveis e as substâncias que são os analgésicos naturais e que deveriam agir para bloquear este efeito, estão inibidas, funcionando menos. Toda esta cadeia em desequilíbrio funciona aumentando a dor do paciente.

É tarefa do reumatologista escutar e examinar apuradamente o paciente com queixa de dor difusa para fazer o diagnóstico diferencial entre outras causas de dor e fibromialgia porque os exames complementares neste caso são normais. Mas se você recebeu este diagnóstico, não se deixe desanimar porque atualmente existem diversas formas de tratar este problema.

Procedimentos em Reumatologia

Infilltração Articular:

São procedimentos realizados no consultório para aplicação de medicações dentro da articulação ou em regiões vizinhas, geralmente um tipo de corticóide com maior ação local ou o ácido hialurônico que é um agente de proteção da cartilagem com artrose. As infiltrações são muito pouco dolorosas sob anestesia local, úteis para tratamento da dor e inflamação, além de auxiliar no controle da doença, prevenir sequelas locais e reduzir a quantidade de medicações por via oral para tratar a dor reumática. Não estão indicadas para todos os pacientes.

Agulhamento de Ponto-Gatilho:

Método derivado da acupuntura para tratamento de dor localizada miofascial, que significa presença de bandas espessadas e ativas (“nódulos dolorosos”) no músculo. Também conhecido como desativação de ponto doloroso, é realizado em algumas sessões, com agulhas de acupuntura sem medicação, praticamente indolor, sendo uma boa opção de tratamento para condições que não melhoram com medicação. Indicado para alguns tipos de dor facial e cefaléia tensional, dor no pescoço, dor na coluna, bacia, nádega e membros.