Alergia e o Sistema Imunológico:

As alergias podem variar muito, e vão desde crises de espirros e coceira no nariz que aparentemente são sintomas banais, porém que podem afetar muito a qualidade de vida de uma pessoa com diagnóstico de rinite alérgica, até sintomas graves como falta de ar e sensação de sufocamento, que podem colocar em risco a vida, como é o caso de uma anafilaxia. A reacção alérgica começa sempre em no nosso sintema imunológico. Lembrando um pouco das aulas de biologia pelas quais todos nós já passamos, o sistema imunológico é aquele que nos protege dos organismos invasores, como virus e bactérias que que podem causar doenças. Se você tem uma alergia, provavelmente ocorreu um erro no seu sistema imunológico, e ele está interpretando uma substância inócua como um invasor do organismo. Esta substância é chamada de alérgeno. O sistema imune reage excessivamente aos alérgenos, produzindo anticorpos chamados imunoglobulina E (IgE). Estes anticorpos circulam pelo seu organismo e quando se ligam a células que libertam histamina e outros produtos químicos, causam uma reação alérgica.

Qual o papel do médico alergista/imunologista?

Apesar das alergias serem consideradas doenças crônicas existem muitas estratégias para controle e prevenção das crises. Estas estratégias englobam medidas de controle ambiental, que consiste numa série de medidas que devem ser tomadas na casa do paciente alérgico para evitar o contato com substâncias que causam alergias, medicamentos para controle dos sintomas e a imunoterapia

Também conhecida como “hipossenssibilização”, “dessenssibilização” ou “vacinação alérgica”, a imunoterapia é utilizada em várias alergias com agente causal específico – como asma, rinite e conjuntivite – e pode ser aplicada no paciente de forma subcutânea ou sublingual. O tempo estimado desse tratamento é de três a cinco anos.
Para diagnosticar alergias e identificar se o paciente pode ser tratado com imunoterapia, são usados os testes cutâneos de leitura imediata. O tratamento consiste na aplicação de alérgeno ao qual o paciente é sensível em doses crescentes por um período de tempo que é variável ( 1 a 3 anos).
Além de ter eficácia e segurança comprovadas, a imunoterapia melhora a qualidade de vida do paciente e reduz o uso das medicações de controle. A imunoterapia pode causar reações como exacerbação dos sintomas de asma ou rinite e até anafilaxia – daí a importância do tratamento ser feito por um médico especializado.

As causas e os sintomas da Alergia:

Inúmeros alérgenos (substâncias que causam alergia) podem estar relacionadas com as alergias, e dependendo do tipo de substância a alergia se manifestará de uma forma diferente. Podemos dividir as alergias em dois grandes grupos quando pensamos no local do corpo mais acometido:

Alergias Dermatológicas: As irritações na pele podem ser causadas por uma série de fatores, incluindo alterações no sistema imune, medicamentos e infecções. Quando conseguimos detectar que um alérgeno é o causador da irritação na pele, esta condição é chamada de alergia dermatológica.
As alergias dermatológicas (da pele) são uma das formas mais comuns de alergia tratadas pelo médico alergista, que tem formação e conhecimentos especializados para diagnosticar com precisão a sua condição e proporcionar alívio para seus sintomas.
São muitos os tipos de alergias dermatológicas, sendo as mais comuns a dermatite Atópica, Dermatite de Contato e Urticária

Alergias Respiratórias: 

A rinite alérgica é causada por alérgenos, que são geralmente substâncias inofensivas mas desencadeiam uma reação alérgica em algumas pessoas.
Pessoas com rinite são propensas a apresentarem sintomas como coriza, espirros, congestão nasal e coceira nos olhos e no nariz. A rinite pode contribuir para outros problemas, tais como asma, sinusite e até problemas no sono.
A rinite alérgica pode ocorrer durante todo ano. No Brasil ela geralmente é desencadeada por alérgenos como poeira domiciliar (ácaros), animais de estimação ou fungos (mofo).
Algumas pessoas com sintomas de rinite não sofrem de alergias. Os sintomas podem ser semelhantes, mas as causas são diferentes. Odores fortes, poluição, fumaça e outros irritantes pode causar sintomas de rinite não-alérgica.
Medicamentos e outras condições de saúde crônica também pode contribuir para sintomas de rinite não-alérgica. Para fazer o diagnóstico e saber se a rinite é alérgica são utilizados os testes cutâneos e exames de sangue.
Alguns casos de rinite alérgica devem ser tratados com imunoterapia. A imunoterapia é um tratamento específico, personalizado, que visa tratar as causas da doença, através um processo conhecido como dessenssibilização.

Os alérgenos que mais comumente causam alergias são:

• Poeira
• Alimentos
• Picadas de inseto
• Pêlos de animais
• Mofo (fungos)
• Medicamentos
• Latex (borracha)

Como o alergista faz o diagnóstico da alergia? Saiba mais sobre os testes cutâneos e os testes de contato

O médico especialista em alergias tem uma série de recursos para investigar o agente causador da alergia. É muito importante que se faça ma história clinica (anamnese) detalhada e o exame físico do paciente. Além disto os testes alérgicos são as prioridades em uma consulta com o especialista em alergia.
Infelizmente não existem exames de sangue e/ou testes para todos os tipos de alergia. Com o objetivo de determinar qual alérgeno, em especial, está causando seus sintomas de alergia, o médico especialista poderá realizar exames seguros e eficazes na pele, usando pequenas quantidades de extratos dos alérgenos suspeitosou em amostras de sangue. Em situações específicas, como alergia a medicamentos ou alergias alimentares, pode ser necessário o testes de provocação com o agente suspeito.
Os testes alérgicos foram desenvolvidos para fornecer as informações o mais específicas possível, de forma que o médico poderá saber qual substância pode ser a responsável pelas crises de alergia e, consequentemente empregar o tratamento mais adequado. A realização do teste alérgico deve seguir normas científicas e utilizar material padronizado, a ser realizado por médico capacitado para tal procedimento. Os testes mais comumentes utilizados são o teste cutâneo de leitura imediata ( também conhecido como Prick test) e os testes de contato (também conhecidos como Patch test)

Testes Alérgicos

Testes cutâneos de leitura imediata (ou Prick test):

Indicado na suspeita de alergias respiratórias,cutâneas, alimentares e por picada de insetos (doenças alérgicas mediada pela IgE). É um procedimento rápido, seguro e indolor, realizado no antebraço do paciente. A técnica de puntura envolve a colocação de gotas dos alérgenos sobre a pele e, utilizando puntor ou lancetas, perfura-se (picada ou prick ou puntura) a pele sob a gota. A leitura do resultado demora em torno de 15 a 20 minutos e se o indivíduo for alérgico aparece uma reação no local, por causa da liberação dos mediadores químicos da alergia.

Testes de contato (ou Patch teste)

É realizado através da colocação das substâncias a serem nas costas do indivíduo alérgico. As substâncias suspeitas devem ficar coladas por 48 horas. Após 48 horas o teste é retirado e faz-se a primeira leitura. Após 72 a 96 horas faz-se a leitura definitiva. As substâncias para as quais o indivíduo é sensível levarão ao aparecimento de erupção no local do teste.

Imunoterapia

Apesar das alergias serem consideradas doenças crônicas existem muitas estratégias para controle e prevenção das crises. Estas estratégias englobam medidas de controle ambiental, que consiste numa série de medidas que devem ser tomadas na casa do paciente alérgico para evitar o contato com substâncias que causam alergias, medicamentos para controle dos sintomas e a imunoterapia Também conhecida como “hipossenssibilização”, “dessenssibilização” ou “vacinação alérgica”, a imunoterapia é utilizada em várias alergias com agente causal específico – como asma, rinite e conjuntivite – e pode ser aplicada no paciente de forma subcutânea ou sublingual. O tempo
estimado desse tratamento é de três a cinco anos. Para diagnosticar alergias e identificar se o paciente pode ser tratado com imunoterapia, são usados os testes cutâneos de leitura imediata. O tratamento consiste na aplicação de alérgeno ao qual o paciente é sensível em doses crescentes por um período de tempo que é variável ( 1 a 3 anos). Além de ter eficácia e segurança comprovadas, a imunoterapia melhora a qualidade de vida do paciente e reduz o uso das medicações de controle. A imunoterapia pode causar reações como exacerbação dos sintomas de asma ou rinite e até anafilaxia – daí a importância do tratamento ser feito por um médico especializado.

Dermatite atópica

A dermatite atópica é uma doença inflamatória crônica da pele que é mais comum na infância: 90% dos casos tem início antes dos 5 anos de idade.
As causas da doença ainda não são claras, mas sabe-se que ela surge a partir de alterações no sistema imunológico e nas barreiras de proteção da pele. Os sintomas da dermatite atópica são bastante característicos: a coceira intensa e a pele seca lesionada, chamada de xerose, são os principais.
A maioria dos pacientes apresentam a forma alérgica de dermatite atópica, ou seja, são sensíveis a algum alérgeno. Alérgeno é uma substância do meio ambiente que pode induzir alergia, sendo os mais comuns no caso da dermatite atópica os ácaros da poeira e os alimentos. O diagnóstico da doença é essencialmente clínico, e podem ser feitos testes de alergia para identificar a presença de sensibilização e identificar os fatores causais.
O tratamento envolve uma soma de ações focadas no controle da coceira, do ressecamento da pele e da inflamação. Antes de tudo, é essencial reduzir a exposição aos fatores desencadeantes.
Também deve-se manter a pele hidratada, com uso diário de emolientes, e aplicar medicamentos nas lesões. Em casos de difícil controle, podem ser indicados tratamentos sistêmicos, como uso de antialérgicos, imunossupressores, que são medicamentos que atuam diretamente no sistema imunológico, e mais recentemente imunobiológicos, que atuam diretamente na regulação do sistema imunológico.

Dermatite de contato alérgica

Dermatite de contato alérgica ocorre quando a pele entra em contato direto com um alérgeno. Por exemplo, se você tem uma alergia ao níquel e sua pele entra em contato com jóias feitas com até mesmo uma quantidade muito pequena de níquel, você pode desenvolver a pele vermelha, instável, escamosa, coceira ou inchaço no ponto de contato. Para diagnóstico das dermatites de contato o médico alergista se utiliza dos testes de contato (Patch test)

Urticária Crônica Espontânea

O termo urticária se refere a um grupo de doenças cutâneas caracterizadas pelo aparecimento repentino de lesões vermelhas na pele e coceira, podendo ou não serem acompanhadas de inchaço no rosto – conhecido como angioedema.
A urticária aguda dura até seis semanas e quase sempre se resolve espontaneamente. As crises podem ter diferentes fatores desencadeantes, como infecções, medicamentos ou alimentos.
O diagnóstico é feito com história clínica completa, realizada por médico especialista, e exame da pele. Se virar recorrente, a urticária pode se tornar crônica.
A urticária crônica espontânea , os sintomas ocorrem na maioria dos dias da semana, por mais de seis semanas. Ela raramente é causada por disparadores específicos e pode durar muitos meses ou anos. Pode estar associada a auto-imunidade e a infecções.
Dentre as urticárias crônicas temos ainda as urticárias físicas que são aquelas induzidas por estímulos externos como pressão, fricção, contato ao frio ou exposição ao sol e a urticária colinérgica ocorrem como resposta ao aumento da temperatura corporal e os sinais e sintomas são tipicamente provocados pelo exercício, banhos quentes e estresse.
Para o tratamento, são utilizados anti-histamínicos, que são antialérgicos não sedativos. Em casos mais graves, associados à angioedema, podem ser usados corticoides por poucos dias. Recentemente, também foram aprovadas para tratamento novas alternativas terapêuticas com excelentes resultados, como é o caso do medicamento biológico omalizumabe. Importante reforçar que a indicação, prescrição de medicamentos e acompanhamento da doença, deve ser realizada estritamente pelo seu médico.

Alergia a Medicamentos

É cada vez mais comum no dia a dia do alergista receber no seu consultório pacientes com queixa de rações alérgicas a medicamentos. As reações de hipersensibilidade a medicamentos afetam 7% da população e representam 25 a 30% das reações adversas a medicamentos.
As reações alérgicas a medicamentos podem ser divididas em dois grupos: as imediatas, que acontecem de uma a seis horas após a ingestão do medicamento e as tardias, que ocorrem após seis horas da ingestão do medicamento e muitas vezes demoram vários dias para se manifestar.
As reações imediatas são caracterizadas por lesões na pele como urticária, ou seja, aparecimento de placas vermelhas na pele e coceira, e angioedema, que é o inchaço localizado normalmente nos olhos ou nos lábios. Nos casos mais graves outros sistemas do organismo além da pele podem ser acometidos, como o aparelho respiratório, com falta de ar e edema nas vias aéreas, o sistema cardio-vascular, com pressão baixa e desmaios e o sistema gastro-intestinal, com dores abdominais, vômitos e diarreia. Quando a reação acomete mais de um sistema temos um quadro de anafilaxia, que é uma emergência médica.
As reações tardias geralmente envolvem o aparecimento de rash cutâneo e lesões na pele. Existem quadros mais graves de reações tardias que podem podem ter acometimento sistêmico, descamação necessitam de cuidados médicos intensivos e internação.
Os medicamentos que mais comumente causam reações de hipersensibilidade são os anti-inflamatórios não hormonais, os antibióticos e os anticonvulsivantes. É comum o paciente apresentar reação alérgica quando está tomando mais de um tipo de medicamento, muitas vezes dificultando o diagnóstico.
Nos casos de suspeita de reação alérgica a medicamento o paciente sempre deve consultar um especialista em alergia e imunologia clínica. O diagnóstico é feito com história clínica detalhada, exame físico e em casos selecionados podem ser feitos testes com medicamentos para confirmação do diagnóstico e eleição de uma alternativa terapêutica. Os testes com medicamentos sempre devem ser realizados em ambiente seguro com equipe especializada e consistem em testes cutâneos e testes de provocação. Os exames laboratoriais comercialmente disponíveis são poucos e tem baixa sensibilidade.
O tratamento das reações alérgicas a medicamentos vai depender do agente causal e da indicação do tratamento. Na vigência do quadro alérgico são usados medicamentos para controle da reação como antialérgicos e corticoides. Pacientes que apresentam alergia a medicamentos que não podem ser substituídos, como por exemplo quimioterapia em pacientes com câncer, está indicada a dessensibilização ao medicamento.